Manaus ocupa o topo da lista nacional de áreas de favelas, com 211 km² de aglomerados subnormais. O levantamento do MapBiomas, baseado em imagens de satélite de 2023, mostra que a cidade ampliou essa área em 64% nos últimos dez anos, o maior crescimento entre as 33 cidades analisadas.
O crescimento acelerado significa que, hoje, cerca de 50% dos 2,2 milhões de habitantes da capital amazonense vivem em territórios precários. A expansão ocorre principalmente nas zonas Norte e Leste, onde a ocupação desordenada avança sobre áreas de preservação ambiental e se intensifica após episódios de chuva forte que deslocam famílias de outras regiões.
Para moradores, a falta de infraestrutura é o principal gargalo. Apenas 8% das casas em áreas de favela têm coleta de esgoto ligada à rede, e menos da metade recebe água tratada de forma regular. O transporte coletivo também é limitado: são apenas 18 linhas de ônibus para 157 comunidades mapeadas, o que obrita muitos a pagar vans ou mototáxi clandestino.
Autoridades municipais afirmam que estão elaborando um plano de urbanização integrada. A proposta prevê a regularização fundiária de 22 mil lotes e a instalação de 12 creches, quatro unidades de saúde e dois centros de qualificação profissional nos próximos três anos. O investimento estimado é de R$ 380 milhões, com recursos do Minha Casa, Minha Vida, do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social e contrapartida do governo estadual.
O MapBiomas destaca que políticas de reassentamento só funcionam quando combinadas com geração de emprego local. Em Manaus, 68% dos trabalhadores de favelas atuam no comércio informal ou em serviços como entrega de aplicativo e reciclagem. Especialistas defendem que a qualificação profissional e o apoio a microempreendedores são peças-chave para evitar que novas áreas irregulares sejam ocupadas.