Paraisópolis, São Paulo quinta-feira, 16 de abril de 2026
✍️ OPINIÃO Este é um artigo de opinião. As ideias expressas são de responsabilidade do autor.

Lô Borges, tudo o que você podia ser

💚 Colaborador Voluntário

Acácio Reis

Músico, educador, regente e diretor musical

📅 11 nov 2025 ⏱️ 2 min de leitura

Por ironia do destino, foi em Paraisópolis que nascia o embrião do Clube da Esquina. Sim, na Rua Paraisópolis, esquina com a Rua Divinópolis, no bairro de Santa Tereza, em Minas Gerais.
Surgia, de forma natural, a transcendental MPB de Minas Gerais — o Clube da Esquina.


Lô Borges, Milton Nascimento, Toninho Horta, Wagner Tiso, Beto Guedes e Márcio Borges foram se encontrando com o soprar do vento que não queria desperdiçar o talento naqueles garotos.
Naquele cruzamento, sensibilidades se completavam, como se a coincidência fosse apenas a forma que Deus encontrou para permanecer no anonimato.


Lô Borges foi um músico refinado, com melodias e letras que afloravam a paisagem mineira — o sonho, o devaneio de um jovem desbravador. Mesmo quem não viveu aquilo sente como se lembrasse.
Era um apaixonado pelos Beatles e trazia, em sua música, muita admiração pela banda inglesa, com o toque brasileiro do qual era um entusiasta.


Admirado por músicos, poetas e amantes da música, brasileiros do Oiapoque ao Chuí.
Podemos dizer que os garotos de Liverpool, os Beatles, seriam o Clube da Esquina; ou que os garotos de Minas Gerais seriam os Beatles, tamanha a relevância e os portais que ambos os grupos abriram para a sociedade.


Compor, para Lô, nunca foi uma linha de produção: era algo visceral, movido pela paixão e pela intuição.
A verdadeira ostentação era reunir os amigos e compartilhar canções em uma tarde ou numa noite qualquer, deixando que a música falasse por todos.


Hoje, uma nova geração encontra nessa fonte uma inspiração viva, um rio de poesia e liberdade.
A relevância intelectual de Lô Borges permanece como um farol para quem acredita que a arte ainda pode iluminar caminhos.


Lô Borges segue sendo um desses artistas que o tempo não apaga, porque sua música não pertence a uma época, mas à própria eternidade do sentir.


Enquanto houver quem cante, quem sonhe e quem se emocione, o trem iluminado do Clube da Esquina continuará partindo, levando consigo o eco suave daquilo que Lô nos ensinou a ser: tudo o que podíamos ser.

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Este artigo foi escrito por um colaborador voluntário

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