Paraisópolis, São Paulo quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Cultura

Lei Rouanet bate recorde e cada R$ 1 investido devolve R$ 1,59 para a economia

Levantamento mostra que incentivo fiscal não é “dinheiro dado”, mas indutor de empregos que gera lucro para o Estado e renda para a periferia.

Os números consolidados do Ministério da Cultura confirmam: 2025 fechou com o maior volume de recursos captados via Lei Rouanet na história. Mas, para além do recorde, o dado que mais chama a atenção de economistas e gestores é o “efeito multiplicador” desse investimento. Estudos de impacto econômico, como os realizados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontam que a cada R$ 1,00 que o governo deixa de arrecadar via imposto para incentivar a cultura, R$ 1,59 retorna para a economia.

A notícia desmonta o mito de que o incentivo cultural é um gasto a fundo perdido. Na prática, o mecanismo funciona através de uma lógica de “ganha-ganha” fiscal. Quando uma empresa direciona parte do seu Imposto de Renda para um projeto cultural, ela ativa uma cadeia produtiva extensa. O dinheiro financia desde a contratação de técnicos de som, eletricistas e seguranças, até a compra de materiais nos diversos estabelecimentos comerciais e serviços de transporte e alimentação.

O Ciclo do retorno

O impacto no “chão da fábrica” da cultura gera um retorno financeiro imediato para o próprio Estado. Isso acontece porque toda essa movimentação econômica é tributada. Ao comprar itens de cenografia ou contratar uma equipe de filmagem, impostos como ISS, ICMS e PIS/COFINS são recolhidos.

O saldo final dessa conta é positivo:

  1. Para o governo: A arrecadação gerada pelo aquecimento da economia supera o valor da renúncia fiscal inicial.
  2. Para a sociedade: O setor de Economia Criativa se consolida como um dos maiores empregadores do país, superando indústrias tradicionais como a automobilística em número de postos de trabalho.

Indução econômica no território

Diferente de verbas assistenciais, o fomento à cultura via renúncia fiscal atua como indutor de desenvolvimento. O recurso permite que mesmo produtoras locais se profissionalizem e que o dinheiro circule dentro do próprio território, fortalecendo a chamada “economia das margens”.

O que dizem os números: “Não existe mágica, existe matemática. O incentivo fiscal é uma ferramenta técnica de alavancagem. O Estado abre mão de receber 100 agora para que a economia gire e gere 159 logo ali na frente. Quem ganha com isso não é só o artista, é o dono da van, a costureira e o governo, que vê a arrecadação subir pelo consumo, e não pela taxação direta.”, defende Joildo Santos, especialista em economia das favelas e CEO do Grupo Cria Brasil.

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ESCRITO POR

Redação Espaço do Povo

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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