Paraisópolis, São Paulo segunda-feira, 16 de março de 2026
Educação

Judocas da seleção levam esperança para meninas das periferias

Rafaela Silva e Jéssica Pereira, medalhistas da seleção brasileira de judô, estiveram nesta semana em escolas e centros comunitários da Baixada Fluminense para conversar com mais de 300 meninas sobre equidade e oportunidades no esporte. O encontro fez parte da série de eventos Judô pela Equidade, promovido pela Confederação Brasileira de Judô em parceria com prefeituras locais.

Durante a roda de conversa na escola municipal Maria de Lourdes, em Nova Iguaçu, Rafaela contou que começou no judô apenas para fugir das brigas de rua. “O tatame virou meu lugar seguro. Hoje vejo que cada medalha minha abre uma porta para outra menina pensar: posso ser campeã também”, disu. Jéssica Pereira, campeã pan-americana em 2023, reforçou: “Não precisamos ser salvas por ninguém. Com acesso ao esporte, a gente mesma traça o futuro”.

O projeto percorre favelas e periferias de seis capitais em 2026. Em cada parada, as atletas doam 200 kimonos usados em treinos da seleção e ministram aulas rápidas de autodefesa. A meta é formar 60 novas academias comunitárias até o fim do ano, focadas em meninas de 8 a 16 anos. Segundo a organização, 70% das vagas serão destinadas a jovens negros e indígenas, grupos com menor presença nas delegações nacionais.

Para quem vive em áreas onde a violência limita os horários de ir e vir, a iniciativa representa chance concreta de ocupação depois da aula. “Minha filha volta da escola às 16h e não tinha onde ficar. Agado, ela treina terça e quinta, ganhou kimono e vai competir pela primeira vez em junho”, comemorou a balconista Ana Paula Gomes, 37, mãe de uma aluna do projeto em São João de Meriti.

O judô virou política pública em Nova Iguaçu em 2024, quando a prefeitura zerou a taxa de inscrição em escolinhas municipais e passou a oferecer transporte gratuito para competições. Desde então, o número de meninas matriculadas no esporte saltou de 180 para 950, segundo dados da Secretaria de Esportes. A expectativa é replicar o modelo em Duque de Caxias e Belford Roxo ainda em 2026.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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