O Ministério Público de São Paulo deflagrou ontem uma operação para desmontar um esquema de corrupção que desviava verbas destinadas às delegacias da capital e do ABC. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a delegados, escrivães e empresas fantasmas.
As investigações apontam que, desde 2022, parte do dinheiro que deveria financiar reformas de distritos policiais e a compra de materiais para escolas de formação de agentes era desviado por meio de notas frias. O prejuízo estimado chega a R$ 14 milhões.
Para moradores da Vila Ribeiro de Abreu, na zona leste, a notícia representa a chance de ver a delegacia local receber os recursos que nunca chegaram. “A gente pede mesa de escrivania desde 2021 e sempre dizem que não tem verba”, conta a aposentada Maria de Lourdes Silva, 62 anos.
Se o valor for recuperado, o MP poderá solicitar que parte seja destinada a programas comunitários de prevenção ao crime, como oficinas de qualificação ou reforma de espaços públicos. A lei 13.964/2019 permite que até 20% dos recursos devolvidos sejam aplicados em ações sociais na área afetada.
A operação foi deflagrada após auditoria do Tribunal de Contas do Estado identificar preços superfaturados em contratos de construção de dois distritos policiais. A suspeita recai sobre uma quadrilha formada por agentes públicos e empresários que simulavam serviços e repassava a diferença para contas particulares.