Paraisópolis, São Paulo segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
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Influencer Hytalo e marido pegam 8 anos por abusar de adolescentes em gravações

Hytalo Santos, 27 anos, conhecido nas redes por dancinhas e padrão de vida de luxo, e o marido Israel Natã Vicente, 32, foram condenados neste sábado (21) a oito anos de prisão por produzir material com conotação sexual envolvendo adolescentes em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. A decisão é da 2ª Vara Mista da cidade e foi lida após acordo de delação premiada de um dos fotógrafos que participava das gravações.

Segundo os autos, os dois usavam o apartamento alugado no bairro Jardim Mangueiral para gravar vídeos em que adolescentes de 14 e 15 anos aparecem seminua e em situações de constrangimento sexual. O conteúdo era comercializado por meio de grupos fechados do Telegram e do WhatsApp, com mensalidades que chegavam a R$ 150. A promotoria identificou ao menos 12 vítimas entre 2023 e 2025, todas recrutadas com promessa de “pocket money” e visibilidade nas redes sociais.

O juiz André Luis Alves da Silva aplicou a pena em regime inicial fechado e determinou o pagamento de R$ 30 mil de indenização para cada vítima. A defesa tentou reduzir a pena alegando que “não houve violência física”, mas o Ministério Público reforçou que o artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente pune qualquer forma de envolvimento sexual de menores em produção de imagens, independentemente de coação. O casal ainda pode recorrer em liberdade, pois não havia prisão preventiva decretada.

Para as comunidades, o caso é um alerta duplo: mostra como a falta de perspectiva leva jovens a aceitar propostas perigosas e expõe a ausência de políticas de vigilância digital. A Secretaria de Desenvolvimento Social de Bayeux informou que “não tem programa específico de proteção a adolescentes na internet” e remete ao Conselho Tutelar, que, segundo a presidente Delzuite Gomes, “funciona com apenas três conselheiros para 78 mil habitantes”. Enquanto isso, escolas públicas da cidade ainda não têm aulas de educação digital obrigatórias.

A investigação começou depois que uma mãe percebeu que a filha, de 14 anos, passou a se recusar a ir à escola e encontrou no celular da menina fotos com o influencer. A denúncia foi feiras no Disque 100, que acionou a Polícia Civil e o Ministério Público. O delegado Luís Gustavo, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, diz que “o caso não é isolado” e que “novos inquéritos estão em curso envolvendo outros adultos que se aproveitam do algoritmo para alcançar crianças”. A orientação é: desconfie de propostas de trabalho que envolvam fotos ou vídeos com caráter íntimo e sempre exija autorização dos responsáveis.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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