O Hospital Santa Izabel, em Salvador, passou a contar com um conjunto de máquinas de ressonância magnética, tomografia e mamógrafo de última geração que ampliam em 30% o número de atendimentos oncológicos pelo SUS. O investimento de R$ 2 milhões, feito com recursos da própria instituição em parceria com a Siemens Healthineers, transformou a unidade no primeiro Centro de Referência da empresa na América Latina para diagnóstico e oncologia de precisão.
Com os novos equipamentos, exames de imagem que antes levavam até 45 dias para serem marcados agora têm data disponível em até sete dias. O ganho de tempo vale especialmente para quem depende do SUS: 70% dos 1.200 pacientes atendidos mensalmente na oncologia do hospital são usuários do sistema público e moram em bairros como Itapuã, Lauro de Freitas, Camaçari e cidades do interior da Bahia.
A tecnologia permite detectar tumores menores que 5 milímetros, reduzindo a necessidade de biópsias invasivas em 20%. A máquina de ressonância, por exemplo, tem canal mais largo, cabendo pessoas com até 180 kg e acolhendo claustrofóbicos em apenas 15 minutos de exame. O mamógrafo 3D gera imagens em camadas, facilitando a visualização de lesões em mulheres com mama densa, grupo mais vulnerável ao câncer de mama.
O reconhecimento como centro de referência atrai médicos de Cuba, México e Colômbia que virão a Salvador trocar experiências. Para a comunidade local, o impacto direto é a abertura de 20 vagas novas em programas de qualificação para técnicos de enfermagem e radiologia. As inscrições começam em agosto e são gratuitas para moradores de periferia cadastrados no CRAS.
“A gente sabe que chegar cedo no diagnóstico salva vida, mas também salva o bolso do trabalhador que não precisa pagar particular ou viajar para Recife ou São Paulo”, diz a enfermeira comunitária Ana Paula Silva, 38, que acompanha 150 famílias no bairro de São Cristóvão. Com a ampliação, o hospital prevê zerar a fila de espera por quimioterapia até dezembro.