Paraisópolis, São Paulo quarta-feira, 4 de março de 2026
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Favela vira laboratório de drones que entregam remédio e mapeiam encostas

Drone que antes levava explosivo hoje leva caixa de remédio para morador de comunidade sem asfalto. O respiro tecnológico vem de empresas periféricas que alugam os equipamentos por R$ 150 a hora para entregas, pulverização agrícola e mapeamento de encostas.

No Jardim Ângela, em São Paulo, a DroneFavela formou 2 mil pilotos desde 2023. O curso de 40 horas custava R$ 2 mil no mercado e é oferecido de graça para jovens de 16 a 29 anos. Depois da certificação, o aluno pode fazer voos pagos e tirar até R$ 3 mil por mês em serviços para construtoras e agricultores familiares.

A virada começou quando o preço do drone caiu 70% em três anos. O modelo básico que custava R$ 5 mil agora sai por R$ 1.500. Com isso, associações comunitárias trocaram serviços caros por drones. Mapear uma área de 10 hectares com avião particular custava R$ 50 mil. O mesmo trabalho com drone custa R$ 2 mil e leva dois dias.

Embraer e outras empresas do setor abriram 400 vagas de aprendizagem em manutenção de drones no ABC paulista. O salário inicial é de R$ 1.800 mais vale-transporte e alimentação. A exigência é ensino médio completo e morar na região.

A Agência Nacional de Aviação Civil prevê que o Brasil terá 1 milhão de drones registrados até 2027. Hoje são 300 mil. A maioria está em mãos de pequenos negócios que usam o equipamento para gerar renda em áreas onde o emprego formal é raro.

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Redação Espaço do Povo
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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