O Arquivo Histórico Municipal (AHM) inaugurou a exposição gratuita ‘São Paulo e seus trabalhadores’ no prédio da instituição, na Praça Cel. Fernando Prestes, 152, Bom Retiro. A mostra ficará em cartaz até 30 de junho de 2027. O objetivo é revelar a história dos operários que construíram os principais cartões‑postais da cidade.
Entre os protagonistas estão Anedryer Pereira do Rosário, eletricista, e Segismundo Apolinario da Silva, encanador, contratados em janeiro de 1953 para as obras do Parque Ibirapuera. Em fevereiro de 1954, enviaram cartas ao diretor do Serviço de Engenharia da Comissão do IV Centenário reclamando de salários inferiores aos de novos operários. A reclamação levou à promoção de ambos a chefes de setor.
Folhas de ponto registram que, em maio de 1953, 500 horas foram trabalhadas por eles, inclusive em turnos noturnos para não interromper a concretagem. Segismundo teve pedido de férias negado em novembro de 1954 por ser considerado indispensável. Em abril de 1956, foi demitido após reprovação em exames médicos, sem nunca ter usufruído de férias.
Fotografias da inauguração do Mercado Municipal, em 1933, permitem identificar mais de 150 operários que participaram das obras. Imagens da década de 1970 mostram que a maior parte da equipe técnica do arquivo era formada por mulheres, responsáveis por catalogar, conservar e administrar a documentação.
O acervo exposto inclui plantas arquitetônicas, fotografias, prontuários, folhas de ponto, holerites, atestados médicos, cartas e processos administrativos. Também há um orçamento enviado à Prefeitura que lista ofícios como estucador, cobridor, caldeireiro e modelador. Projetos de mobiliário desenvolvidos pelo escritório Ramos de Azevedo e produzidos por alunos do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo integram a mostra.
A exposição integra a 4ª edição do Festival Arquivo Aberto, cujo tema é “Cidade, Trabalho e Memória”. A iniciativa é gratuita e visa ampliar o acesso da comunidade às histórias dos trabalhadores que moldaram a cidade.
O AHM abre suas portas de segunda a sábado, das 10h às 17h, e aos sábados, das 10h às 16h. A entrada é livre e a exposição permanecerá aberta até 30 de junho de 2027, convidando moradores da periferia e de toda a cidade a conhecer a memória do trabalho urbano.