Paraisópolis, São Paulo terça-feira, 17 de março de 2026
Educação

Escolas da periferia testam aplicações de IA que ajudam alunos a estudar sem copiar

Os celulares das salas de aula das escolas municipais de São Paulo ganharam um novo personagem este ano: a inteligência artificial. Aplicativos gratuitos como o ChatGPT e o Bing respondem em segundos as listas de exercícios de português e matemática, e o desafio dos professores virou ensinar o adolescente a usar a ferramenta sem desligar o próprio cérebro.

12 mil alunos da Etec Parque da Juventude, em Santana, na zona norte, participam de um projeto-piloto que obriga o estudante a entregar, junto com a redação final, o histórico de perguntas que fez ao robô. A regra surgiu depois que a coordenação percebeu que metade das provas chegava com respostas idênticas, mas nenhum dos jovens conseguia explicar o que escrevera.

Para quem nunca teve computador em casa, o celular é a única ponte com a internet. O aplicativo de matemática Photomath, por exemplo, resolve a equação na hora e ainda mostra o passo a passo. O estudante Kauã Silva, 16, morador do Jardim Brasil, confessa que usou a dica para não perder ponto na recuperação: “Se eu errar, reprovo. A professora disse que posso consultar, mas preciso anotar o que aprendi”.

A diretora da escola, Márcia Lima, conta que as turmas passaram por oficinas de “leitura crítica da IA”. A cada semana, o aluno deve transformar a resposta do aplicativo em um texto com exemplos da própria vida. “Queremos que ele perceba que o conhecimento é dele, não do celular”, diz. O resultado apareceu nas notas: antes 30% dos alunos conseguiam passar de 6 em matemática; agora são 52%.

O governo do estado prepara uma cartilha com regras de uso para todas as escolas públicas até setembro. O material vai ensinar professores a pedir que o estudante grave um áudio explicando a resposta, ou a fazer a pergunta de forma que o aplicativo erre propositalmente, obrigando o jovem a revisar. “A IA não vai embora. O que precisamos é criar truques para que ela fortaleça a memória e não a apague”, resume Márcia.

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Redação Espaço do Povo
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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