Bionegócio na Amazônia Legal gera emprego e renda para mulheres em vulnerabilidade social

 Bionegócio na Amazônia Legal gera emprego e renda para mulheres em vulnerabilidade social

Crédito:OCAS

Projeto é realizado em uma comunidade quilombola remanescente localizada no estado do Pará, terceiro maior produtor nacional de coco no país

Por Talytha Cardoso

Em Belém, capital do Pará, localizada na região conhecida como Amazônia Legal, descobrimos um negócio de impacto social, que utiliza técnicas sustentáveis de produção, para transformar coco em sabonetes, óleos extra virgem, shampoos e xaxins ecológicos. A fruta tropical é usada em sua totalidade com zero impacto ambiental.

Segundo dados do Banco Nordeste, o Brasil é o 5° maior produtor de coco no mundo. Em 2019, foram 62,9 milhões de toneladas produzidas, com participação de 3,7% do mercado global. No Brasil, a produção é baseada no coco ralado, leite de coco e a água da fruta. A área cultivável no país é de 187,5 mil hectares. O Pará é o terceiro maior produtor nacional e participa de 10,2% da área, 11,6% da produção e 18,1% do valor da produção nacional. 

Sempre atento as diversas possibilidades de produção a partir do coco, foi que o biomédico Renato Rosas (41), criou em 2020 o projeto “Beneficiamento do Coco” na comunidade remanescente quilombola Vila Real. Em um momento em que a pandemia ainda causada muitos estragos na vida as pessoas, Renato encontrou na fruta a oportunidade de ajudar as mulheres do território a cosquistarem independência financeira, além de gerar impacto ambiental e econômico a partir das oficinas de capacitação, produção e comercialização do bionegócio oferecidas para a comunidade durante o isolamento social. 

“Constantemente sou procurado por líderes e/ou associações que me pedem auxílio emergencial e/ou capacitação profissional para ajudar comunidades amazônicas ou pessoas que estejam em vulnerabilidade. O projeto com estas mulheres está se tornando um case de sucesso, pois trabalhando em grupo e empreendendo em um negócio próprio elas se sentem libertas da opressão machista em que viviam”, disse Renato que também é artista e diretor da Organização Comunitária de Adesão Social (OCAS).

Claudineia Reis dos Santos (32), mãe solteira de duas crianças, é moradora da comunidade e trabalha como coordenando de um grupo de mulheres do projeto e vive de perto a transformação na vida das mulheres beneficiadas.

“Essa experiência veio na hora exata, para mim foi uma renovação, uma vez que em minha comunidade o coco não tem valor e estava estragando e hoje está sendo beneficiado através da produção do sabão, óleo saturado, e extra virgem além da confecção de embalagens a partir da fibra e sabonetes íntimos,” conta Claudineia.

Segundo Renato, são produzidos em média 400 sabonetes de 25g por mês, sendo utilizado ao ano cerca de 100 toneladas de matéria prima retirada da própia natureza. Ele também é responsável por fazer a triagem dos produtos e por encontrar clientes para os biocosméticos, que podem variam entre R$6 e R$60.

Além das vendas e revendas para clientes da comunidade, os produtos também são vendidos em algumas lojas, como é o caso da Nutri Cosmética de Belém: “Conheci os produtos através do Renato, revendo e uso desde o ano passado. As clientes relatam ótimos resultados, elas sempre procuravam um produto vegano produzido de forma sustentável e com responsabilidade social,” afirmou Isis Ferreira Bezerra (41), proprietária da loja especializada em produtos naturais e veganos.

Para saber mais sobre o projeto, acesso o Instagram da OCAS: https://www.instagram.com/ocas.ong/

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