Paraisópolis, São Paulo segunda-feira, 16 de março de 2026
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Dona Anísia, 100, recebe cuidados gratuitos do PAI em casa

Uma equipe de cuidadores entra todos os dias no pequeno sobrado da rua Felipe Nery, na Vila Prudente, para garantir que Anísia Alves da Silva, 100 anos, tome banho, tome remédio e converse com alguém. Ela e os dois filhos, ambos acima de 60 anos, são atendidos pelo Programa Acompanhante de Idosos (PAI) da prefeitura de São Paulo, que mantém 70 equipes espalhadas pela capital.

Anísia perdeu a visão há três anos e hoje divide o dia entre a cama e a cadeira de balanço da sala. A visita começa às 8h: banho de chuveiro com banco adaptado, troca de fralda, medição de pressão e organização dos remédios. A auxiliar de enfermagem fica duas horas; no fim da tarde, um cuidador retorna para acompanhar a refeição e verificar se não há escaras.

O PAI atende idosos acima de 60 anos em situação de dependência e sem renda ou família capaz de assumir os cuidados. A inscrição é feita nas Unidades Básicas de Saúde. Depois de avaliação social, a equipe entra em casa de um a três dias por semana, de graça. Em São Paulo, são 3,2 mil atendimentos mensais pagos com recursos da Secretaria Municipal de Saúde.

Para a família de Anísia, o serviço tirou o peso de dividir o tempo entre emprego informal e os cuidados. O filho mais novo, José, 63, trabalha como ajudante de pedreiro quando aparece serviço. A filha, Maria, 67, tem problema no coração e também precisa de medicação. “Sem o PAI, teria que parar de trabalhar para cuidar dos dois. Aí a conta não fecha”, diz.

O programa existe desde 2004, mas ganhou força após a pandemia, quando o isolamento aprofundou a vulnerabilidade de quem vive em casa sem rede de apoio. A prefeitura ampliou o número de vagas de 55 para 70 equipes em 2022. Cada equipe atende até 40 idosos, priorizando territórios com maior número de pessoas acima de 80 anos e baixa oferta de creces ou centros-dia.

Quem recebe o serviço pode continuar com o benefício enquanto houver necessidade e desde que respeite o regramento: comparecer às consultas de acompanhamento na UBS e comunicar mudança de endereço. A recusa injustificada por três vezes resulta em descadastro. A ideia é justamente manter a frequência e evitar internações por falta de cuidado básico.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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