Em entrevista ao Espaço do Povo, vice-presidente destacou a importância da imprensa livre para a democracia e incentivou os jovens a participar da vida pública.
O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a liberdade de imprensa e de expressão como pilares da democracia durante entrevista ao jornal Espaço do Povo nesta quinta-feira (8), em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo.
Ao abordar o papel da comunicação na sociedade, Alckmin citou o escritor francês Victor Hugo para destacar a relação entre a liberdade de imprensa e o desenvolvimento democrático.
“Victor Hugo dizia que o diâmetro da imprensa é o diâmetro da civilização. Por isso que as ditaduras, a primeira coisa que fazem, é ir pra cima da imprensa, da liberdade de imprensa, ir pra cima da liberdade de expressão”, afirmou.
A declaração reforça a importância do debate sobre a proteção à atividade jornalística e à liberdade de manifestação no Brasil, inclusive no contexto do atual governo federal, do qual Alckmin é vice-presidente.
Liberdade de imprensa e comunicação nas periferias
A defesa da liberdade de imprensa também abre espaço para discutir a importância dos veículos de comunicação locais e comunitários, responsáveis por acompanhar demandas e acontecimentos que nem sempre recebem destaque nos grandes meios de comunicação.
Em territórios como Paraisópolis, por exemplo, o jornalismo comunitário contribui para dar visibilidade às reivindicações dos moradores, fiscalizar políticas públicas e ampliar o acesso à informação.
Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–2022), a liberdade de imprensa no Brasil foi alvo de preocupações de entidades jornalísticas, diante de episódios recorrentes de ataques verbais, intimidações e tentativas de descredibilização de profissionais e veículos de comunicação.
Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), foram registrados 376 casos de violência contra jornalistas e veículos de imprensa em 2022, dos quais 104 foram atribuídos diretamente a Bolsonaro. Ao longo dos quatro anos de mandato, a entidade contabilizou 570 ataques atribuídos ao então presidente. Os dados evidenciam o contexto de tensão entre o governo e parte da imprensa naquele período, marcado também por denúncias de censura e restrições ao exercício do jornalismo.
Participação política como instrumento de transformação
Além da defesa da imprensa livre, o vice-presidente destacou a importância da participação da população nas decisões políticas. “Entendo a política como um instrumento de servir, nós queremos servir a população”, declarou.
Alckmin também defendeu que o envolvimento com a vida pública seja estimulado desde a juventude, relacionando a participação política ao compromisso com o bem-estar coletivo.
“Por isso uma política bem feita é um ato de amor, amor ao próximo, ao seu vizinho, ao colega da escola, da igreja. Então é importante estimular os jovens a participar da vida pública”, afirmou.
Paraisópolis como espaço de participação comunitária
Durante a entrevista, o vice-presidente mencionou a atuação da associação de moradores de Paraisópolis como exemplo de organização e participação social.
Ao recordar um ensinamento de seu pai, Alckmin destacou a importância do envolvimento dos cidadãos nas questões coletivas.
“Meu pai costumava dizer, na vida não basta apenas viver, é necessário conviver e participar. Aliás, nós estamos aqui numa escola de participação, que é a associação de moradores aqui de Paraisópolis.”
*A entrevista integra a cobertura especial do Espaço do Povo sobre a passagem de Geraldo Alckmin por Paraisópolis, abordando temas como democracia, cultura, políticas públicas e participação popular.