Por que acreditamos em mentiras?

 Por que acreditamos em mentiras?

Crédito:Canva

Nem sempre é fácil fazer a distinção entre mensagens falsas, verdadeiras e enganosas. As técnicas empregadas pelos desinformantes para provocar confusão nas mídias digitais estão cada vez mais sofisticadas. E não apenas do ponto de vista da tecnologia, que incentiva, com algoritmos e robôs, a ocupação das redes com fake news em vários formatos. São as narrativas, e os seus efeitos na nossa percepção sobre a realidade, que mais nos preocupam. 

A filósofa alemã de origem judia Hannah Arendt (1906-1975) escreveu, em 1967, que corremos o risco de perder a capacidade de nos orientar no mundo real se a mentira destruir a verdade. O problema, segundo ela, é que a falsidade não se apresenta apenas como o oposto da verdade. A mentira assume infinidade de formas, combinando fatos e invenções. E mira o nosso sistema de crenças – acessível quando estamos online e em interação com as redes. Ideias, posicionamento político, desejos e hábitos são capturados e registrados diariamente. Os rastros deixados no ambiente digital são utilizados para orientar a produção de todos os tipos de narrativas que correspondam às nossas preferências, e para que não haja qualquer movimento de contestação. As pesquisas indicam que alguns indivíduos, com determinado tipo de conduta, se mostram mais sensíveis à desinformação. Aqueles que buscam encaixar a realidade à sua visão de mundo e fecham os olhos para os fatos, para a experiência da vida real, são os mais fáceis de serem enganados pelas fake news. Este grupo, geralmente, não se mostra disposto ao diálogo e ao questionamento das informações que circulam nas mídias e agem, na maioria das vezes, para impor as suas ideias. Quando indagados sobre suas afirmações, apresentam frágeis argumentos. Com certa dificuldade para fazer a separação entre realidade e ficção, estes indivíduos encontram nas redes os discursos que os satisfazem, sem duvidar, contudo, de que se tratam de uma grande armadilha. 

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Jornalista, pesquisadora, doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Atuou como repórter e editora, por 20 anos, nos jornais Diário Popular, Diário de S.Paulo e Brasil Econômico. Pesquisadora e palestrante do tema desinformação científica.

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