Pesquisa com moradores de Paraisópolis visa identificar a percepção sobre notícias verdadeiras e conteúdos falsos que circulam nas redes sociais

 Pesquisa com moradores de Paraisópolis visa identificar a percepção sobre notícias verdadeiras e conteúdos falsos que circulam nas redes sociais

Imagem: Imagem de freepik

Professora convida moradores para participarem do grupo de WhatsApp relacionado ao estudo

Você já ouviu falar sobre “fake news”? Em 2017, o termo foi eleito a palavra do ano pelo dicionário britânico Collins que o definiu como “informações falsas e às vezes sensacionalistas apresentadas como fatos e publicadas e divulgadas na internet”. Em português, a expressão significa notícias falsas e ganhou popularidade mundial após ser muito usada pelo até então candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua campanha. O político usava o termo para se referir a notícias negativas sobre ele. 

Desde 2012, a jornalista, historiadora e doutora em comunicação e semiótica, Mirian Meliani, estuda as redes sociais. Ela também é professora e atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado com apoio do CNPq-Brasil, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com previsão de conclusão no final deste ano. 

Em sua pesquisa, a professora quer saber como os moradores de Paraisópolis, localizada na zona sul de São Paulo, identificam as notícias verdadeiras e os conteúdos falsos que circulam nas redes. Para isso, foi criado um grupo no WhatsApp. Ela convida que os interessados em contribuir com o estudo e a evitar que a desinformação continue a confundir a população entrem no grupo disponível no link: https://chat.whatsapp.com/KHmy7UgXUpKL6WAiwpVrNV

As respostas da pesquisa serão coletadas em questionários fechados do Google, garantindo o sigilo. Os resultados serão divulgados apenas por meio de porcentagens. 

Importância da leitura crítica de informações 

Segundo a professora, os conteúdos falsos usam uma linguagem parecida com a do jornalismo, o que faz com que as pessoas acabem confiando. “Imitam formatos de títulos, o modo de iniciar o texto, o áudio ou o vídeo. Muitas vezes usam recursos extremos para chamar a atenção, como chamadas curiosas, exageradas, algo parecido com o sensacionalismo e com o “click-bait”, recurso para levar o público a clicar em um link movido pelo impulso”, conta.

Diante desse cenário de desinformação, quando técnicas de comunicação e informação são usadas a fim de induzir ao erro ou a uma falsa realidade, ficar atento e ser crítico às informações que recebe tornaram-se habilidades fundamentais nos dias de hoje. De acordo com a pesquisadora, a inteligência artificial é um elemento que ajuda a complicar ainda mais esse cenário por ser capaz de gerar vídeos falsos, fotos e simular vozes de forma bem convincente.

“É a chamada deep fake. Para perceber a diferença é preciso estar bem informado e desconfiar de conteúdos muito exagerados, buscando checar em sites confiáveis de jornalismo”, diz. No entanto, a profissional ressalta que tudo depende do uso que fazemos da ferramenta e da tecnologia e que não significa que toda a inteligência artificial seja produtora de desinformação. Ela pode, inclusive, ser usada para ajudar na identificação e combate de mentiras.

O avanço da produção de conteúdos falsos fez com que surgissem ações específicas de combate à desinformação com base na checagem. No entanto, a disseminação de conteúdos verificados tem uma circulação menor. “Um conteúdo falso geralmente é criado detalhadamente para gerar surpresa ou indignação, circulando mais rapidamente, por mais tempo e em mais perfis. Para fazer o mesmo percurso, um desmentido pode demorar muito mais e não obter o mesmo resultado. Segundo o MIT, um conteúdo falso se espalha 70% mais rapidamente do que um conteúdo verdadeiro – justamente porque os fabricantes de fake news não têm escrúpulos e usam de todos os recursos para chamar a atenção”, explica.

Para começar a desenvolver um olhar mais crítico em relação às informações que recebe, Mirian diz que é preciso duvidar de afirmações genéricas, de discursos muito exagerados e violentos, de “notícias” que não trazem fontes. Também é importante buscar checar antes de compartilhar qualquer informação e, caso não tenha certeza sobre a veracidade, melhor não repassar a mensagem adiante. “Essa pode ser a diferença entre proteger a sua família de doenças perigosas como a paralisia infantil ou o sarampo, por exemplo. Pode ser a diferença entre participar com clareza dos processos eleitorais que vão indicar os representantes do povo e as políticas públicas que vão ou não ajudar toda a comunidade. Temos que nos preparar para as novas tecnologias. Tudo isso depende de informação de qualidade”, finaliza.

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