40 jovens de comunidades do Rio de Janeiro concluem neste mês o curso gratuito É Nóis na Fita e vão exibir os curtas que produziram na Mostra de Encerramento de 2025, marcada para junho no Centro Municipal de Cinema. As inscrições para a próxima turma já estão abertas.
O projeto, criado em 2019 pela produtora local Enquadro Coletivo, oferece 200 horas de formação em roteiro, direção, fotografia, som e edição. Nesta quinta edição, os alunos — moradores de favelas como Cidade de Deus, Complexo do Alemão e Rocinha — gravaram cinco curtas de até 10 minutos que abordam temas como racismo, religiosidade e violência policial.
Desde o início do programa, 180 jovens já foram treinados e 37 curtas foram finalizados, com exibições em festivais como o Curta Cabo Frio e o Festival Internacional de Cinema do Rio. A coordenadora pedagógica, Ana Paula Silva, conta que o diferencial é manter a equipe técnica formada por moradores da própria comunidade. “A gente não só ensina, mas emprega quem está ao lado”, diz.
O acesso ao mercado é real: 68% dos ex-alunos atuam hoje como assistentes de câmera, operadores de som ou estagiários em produtoras. A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, banca 60% do custo anual do projeto — R$ 480 mil —, enquanto o restante vem de leis de incentivo e parceiros privados.
Para Rian Souza, 19 anos, morador do Complexo do Alemão, o curso virou emprego. Depois de rodar seu curta “No Peito”, foi contratado como assistente de produção da série “Arcanjo Renegado”, da Globoplay. “Aprendi que a gente pode contar nossa história sem depender de gente de fora”, afirma.
As vagas para 2026 são limitadas a 40 alunos com idade entre 16 e 29 anos e ensino médio completo. Inscrições presenciais acontecem nos meses de setembro e outubro no Centro Municipal de Cinema, na Cidade Nova, ou pelo site oficial do projeto.