Weveni Ferreira da Conceição, 26, cresceu no Júlio César, periferia de Belém, e hoje divide o tempo entre a residência de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará (UFPA) e o laboratório de anestesiologia de animais silvestres onde desenvolve sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Saúde Animal na Amazônia, em Castanhal.
Filha de pais que não concluíram o ensino fundamental, ela entrou na universidade por meio das cotas e desde o quinto período ajuda a sedar animais como onças, preguiças e aves de rapina atendidos no Hospital Veterinário da UFPA. A rotina inclui consultas noturnas, plantões de 24 horas e coleta de dados para dissertação sobre protocolos de contenção química na fauna amazônica.
O incentivo veio de casa. A mãe, dona-de-casa, e o pai, vigilante, compravam livros usados em feiras e montaram uma pequena biblioteca na sala. Com bolsa de iniciação científica de R$ 720, Weveni custeou transporte e alimentação durante a graduação. Em 2023, foi aprovada em três programas de pós-graduação e escolheu o que permitia continuar atendendo comunidades ribeirinhas que levam animais feridos para o hospital universitário.
O impacto na comunidade é direto. A pesquisadora ministra oficinas gratuitas de primeiros socorros a animais silvestres para estudantes de escolas públicas de Castanhal e Belém. No ano passado, 240 adolescentes aprenderam a identificar serpentes peçonhentas e fazer contenção até a chegada do veterinário, reduzindo em 30% os acidentes registrados em duas escolas municipais parceiras.
Weveni planeja abrir um centro de reabilitação de fauna no Júlio César. O projeto, em fase de captação de recursos com a Prefeitura de Belém, prevê quatro salas de atendimento e um viveiro para animais em processo de soltura. A meta é formar, até 2026, 20 jovens da periferia como técnicos em manejo de fauna, área que tem 380 vagas abertas no Pará segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.