O grupo Pensar Africanamente e o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) abrem na próxima terça-feira, 27 de maio, às 19h, o primeiro encontro online gratuito de 2026 para mostrar como a digitalização do acervo do ativista Abdias Nascimento pode ser usada por escolas, quilombos e coletivos de periferia para fortalecer a memória negra local.
O encontro vai explicar o passo a passo do Programa Iberarquivos, iniciativa que já escaneou mais de 30 mil fotos, cartas e desenhos deixados por Nascimento, e vai ensinar qualquer morador a montar seu próprio arquivo comunitário sem gastar dinheiro. Quem participar recebe certificado de 4 horas e acesso liberado ao banco de imagens.
Abdias Nascimento foi ator, pintor e deputado que fundou o Teatro Experimental do Negro nos anos 1940. Seus papéis contam como a resistência negra organizou escolas, sindicatos e festas que não entram nos livros didáticos. O objetivo do curso é mostrar que preservar essa história não é luxo de museu, mas ferramenta para jovens da quebrada entenderem de onde vem o racismo que enfrentam no emprego, na escola e na rua.
As inscrições ficam abertas até o meio-dia do dia 27 no site do Pensar Africanamente e não exigem formação superior. Basta ter internet estável e cadastro com nome completo e e-mail. O link de acesso chega na hora do evento. A mediadora será a educadora Bethânia Pereira, que já transformou o método em oficina em favelas do Recife.
Quem quiser começar antes pode baixar gratuitamente o Manual de Digitalização Comunitária lançado pelo Ipeafro. O PDF de 20 páginas ensina a tirar foto de celular com qualidade de arquivo, escolher pastas no Google Drive e montar uma linha do tempo digital com os registros da família ou da associação de bairro.