Paraisópolis, São Paulo quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Cultura

As Marias de Belém do Pará estreia com oito atrizes veteranas no Sesc Ginástico

As Marias de Belém do Pará estreia com oito atrizes veteranas no Sesc Ginástico

Espetáculo estreia nesta sexta no Rio

As atrizes Beth Mendes, Ítala Nandi, Yvonne Hoffman, Maria Pompeu, Mariah da Penha, Veluma Nunes, Joana Fomm e Hildegard Angel estreiam, nesta sexta-feira, 14 de agosto, o espetáculo As Marias de Belém do Pará – Somos Todos Marias. Além disso, a apresentação acontece às 19h no Teatro Sesc Ginástico, localizado na Avenida Graça Aranha, 187, Centro, Rio de Janeiro. Por fim, a peça permanece em cartaz até o dia 13 de setembro.

Enredo e produção

O diretor, autor e produtor Eduardo Barata escreveu o texto em parceria com Elaine Moreira. Basicamente, a trama se passa em um condomínio de Copacabana chamado Garalhufas, que funciona como um microcosmo de questões nacionais. Mais especificamente, a história apresenta a personagem dona Dilma e vizinhos chamados Jefferson, Temer e Cunha. Vale destacar que o espetáculo dura 60 minutos e inclui elementos como a cerâmica marajoara, barcos de miriti e a procissão do Círio de Nazaré.

Elenco multigeracional

O elenco apresenta atrizes de diferentes gerações: Maria Pompeu tem 90 anos; Yvonne Hoffman e Joana Fomm têm 86; Ítala Nandi tem 84; Beth Mendes tem 77; Hildegard Angel tem 76; Veluma Nunes tem 73; e Mariah da Penha tem 66 anos. Ao mesmo tempo, as artistas cantam e dançam músicas como Andança, de Eduardo Souto, a Ave Maria de Fafá de Belém e ritmos de Carimbó. Segundo Hildegard Angel, “a peça é uma síntese do Brasil, de todas nós, Marias, que entoam cânticos, riem e choram no país, em uma proposta ampla, tocante e delicada.”

Força da experiência

Em primeiro lugar, Beth Mendes interpreta a síndica do prédio e faz referências ao falecido Lúcio Mauro. Vale lembrar que Beth foi fundadora do PT, deputada federal entre 1983 e 1987 e deputada constituinte pelo PMDB de 1987 a 1991, acumulando mais de 40 filmes, séries e participações em obras como Beto Rockfeller. Por outro lado, Ítala Nandi, que realizou o primeiro nu frontal do teatro brasileiro, dança no palco. Joana Fomm, conhecida pelo papel de Perpétua na novela Tieta de Aguinaldo Silva, faz participação breve.

Outro destaque é que Maria Pompeu retorna aos palcos após dez anos sem atuar e traz humor para refletir sobre a modernidade e o envelhecimento. Da mesma forma, Yvonne Hoffman, que estreou em Marat-Sade e atua na televisão desde 1967, integra o grupo. Também Hildegard Angel, jornalista e atriz que interpretou Beatriz na novela Selva de Pedra de Janete Clair, participa da montagem. Além disso, Veluma Nunes, ex-modelo de Zuzu Angel e pioneira do uso do black power nas passarelas, traz sua experiência em novelas como Gente Fina, Caras e Bocas e Sem lenço, sem documento, além do filme O testamento do Senhor Nepomuceno.

Por sua vez, Mariah da Penha integra o elenco após trabalhos em Garota do momento (2024), Lima Barreto, Ao terceiro dia e Os suburbanos. Ainda por cima, a atriz também estreou em 2024 o documentário Guapi-Macacu, sobre saberes indígenas, africanos e rios da Baixada. No que diz respeito ao teatro, Mariah estreou em Dona Beija, da Rede Manchete, e participou de Helena e Olho por olho. Para completar, além das oito protagonistas, o espetáculo conta com a atuação de outros 26 artistas.

Raízes e homenagem ao Norte

Em última análise, Eduardo Barata construiu a narrativa para declarar amor à Região Norte, baseando-se em sua trajetória familiar como neto de paraenses tanto por parte de mãe quanto de pai. Dessa forma, o texto conecta a Ilha do Marajó ao cotidiano do Rio de Janeiro, utilizando a religiosidade popular e a cultura amazônica como base para as memórias reais das atrizes.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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