Paraisópolis, São Paulo quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Cultura

‘Cultura rato’ nasce na quebrada e vira tendência nos bloquinhos de rua do Recife

Recife – A franja curta e rente à testa, conhecida como cabelo “rato”, virou marca dos blocos de rua do carnaval recifense. A origem do visual está nas periferias da capital pernambucana, onde jovens transformaram um xingamento em identidade e agência a multidões nos bloquios.

O estilo ganhou força no último mês e aparece em fotos de festas clandestinas montadas dentro de um canal de esgoto desativado na Zona Norte. Lá, sem iluminação pública ou estrutura, os próprios moradores levam caixa de som, gelo e bebida. A ideia era fugir da polícia e do alto preço dos circuitos oficiais. O resultado foi um movimento que mistura música, moda e atitude e que já tem gente chamando de “cultura rato”.

O termo surgiu nas redes como forma de depreciar moradores de periferia, mas foi abraçado pelo grupo. “Quando chamaram de rato, a gente decidiu assumir. O rato sobrevive onde ninguém aguenta”, diz um dos organizadores da festa, que prefere não se identificar. O corte de cabelo, feito com gilete em casa, virou símbolo. Salões da região já cobram entre R$ 10 e R$ 15 para fazer a versão “profissional”.

A Secretaria de Cultura de Pernambuco informou que não há registros de solicitações formais para eventos nesse local e que a área é considerada de risco pela Defesa Civil. A pasta diz que está “avaliando ações de cultura de rua” para o segundo semestre, mas não confirma investimentos específicos na Zona Norte.

Enquanto isso, o canal continua lotado nos fins de semana. Quem vai garante que a festa é mais do que resistência: é um jeito de dizer que o carnaval também pertence a quem nunca teve ingresso. O barulho do bloquinio ecoa pelas ruas de chão de terra, e as fotos do cabelo “rato” se espalham pelo WhatsApp, reforçando que a tendência não veio da passarela, mas da laje.

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Redação Espaço do Povo
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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