Ilha Solteira virou laboratório de criatividade ecológica. O projeto Do Descarte à Arte – Metareciclagem abre as portas do Centro de Convivência toda semana para crianças e adolescentes aprenderem a transformar sucata em brinquedos, cenários e objetos de decoração.
A proposta é simples: garrafas pet, tampinhas, papelão e fios de lã viram material de arte. Enquanto montam carrinhos de corrida ou casinhas de boneca, os participantes discutem onde jogar o lixo, quantos anos a natureza leva para decompor cada tipo de resíduo e por que a reciclagem reduz a conta de coleta da cidade.
As oficinas são gratuitas e acontecem em dois turnos, de forma que jovens em período escolar consigam participar. A equipe é formada por arte-educadores locais e conta com apoio da Secretaria de Meio Ambiente. Cada encontro dura duas horas e meia, tempo suficiente para cortar, colar, pintar e, no fim, expor as criações para as famílias.
O coordenador explica que a ideia surgiu da constatação de que o lixo reciclável do bairro costumava ir direto para o aterro. “A gente queria mostrar que o descarte pode ter outro destino e, ao mesmo tempo, abrir espaço cultural para a juventude”, afirmou.
Além do aprendizado ambiental, o projeto virou ponto de encontro entre gerações. Avós ajudam a desmontar sucata, pais doam tinta sobrante de obra e comerciantes cedem caixas de papelão. O resultado é estoque sempre renovado e exposições que circulam pelas escolas municipais, chamando atenção para a redução de resíduos.
A próxima etapa prevê parceria com a Associação de Catadores, que vai orientar sobre separação e comercialização de material. A meta é, até o fim do ano, dobrar o número de vagas e levar as oficinas para outras três comunidades rurais do município.