O passo de dança criado por moradores da Rocinha, no Rio de Janeiro, ganhou versão sul-mato-grossense e já soma 210 mil visualizações no Instagram. Gravado em Campo Grande, o vídeo mostra dezenas de jovens da periferia local repetindo a sequência de movimentos que nasceu numa quadra de samba carioca.
A gravação foi feita na tarde de um domingo na Praça Ary Coelho, ponto de encontro tradicional da juventude do bairro Taveirópolis. Quem organizou foi a produtora local Bota na Rua, que reuniu 40 dançarinos amadores entre 14 e 27 anos. A ideia surgiu depois que o coreógrafo Patrick Silva, 23, viu o vídeo original no celular e resolveu adaptar o passo para o funk que toca nos bailes da cidade.
O resultado virou corrente: perfis de moradores do Caiobá, Nova Lima e até de cidades vizinhas como Dourados passaram a publicar suas próprias versões. A hashtag #RocinhaNoMS já soma mais de mil publicações, impulsionando pequenos criadores de conteúdo que antes não alcançavam mais que 200 curtidas por post.
A dança chegou como oportunidade de visibilidade para quem vive fora do circuito comercial da capital. “Minha mãe vende salgado na porta de casa. Agora tem gente pedindo pra ela porque viu meu nome no vídeo”, conta Patrick. A gravação levou dois dias de ensaio aberto e custou menos de R$ 200, valor arrecadado com vaquinha entre os participantes.
O fenômeno reforça o poder de circulação de cultura de favela fora dos centros urbanos tradicionais. Especialistas apontam que plataformas como o Instagram estão criando novas rotas de reconhecimento para jovens periféricos que não têm acesso a escolas de dança ou teatro. O próximo passo, diz Patrick, é levar o grupo para uma roda de samba em frente ao Memorial da Cultura Popular, espaço público que antes era pouco usado por moradores da periferia.