O concurso Olhar da Quebrada está com votação aberta até domingo para escolher as melhores imagens feitas dentro de favelas e periferias de todo o Brasil. São 50 fotos finalistas que mostram crianças brincando em vielas, festas de rua, mutirões de pintura, hortas comunitárias e o trabalho de artesãos, barqueiros e camelôs.
Qualquer pessoa pode votar no site do projeto. Cada clique indica uma história que, segundo os organizadores, precisa sair do álbum de família e ganhar visibilidade nacional. A ideia nasceu em 2021, quando fotógrafos de comunidades do Rio, Salvador e Belo Horizonte perceberam que as imagens mais comuns sobre os lugares onde vivem eram de blindões e cercas destruídas. Resolveram inverter a lógica e convidar moradores para registrar o que de fato importa: o cotidiano que dá orgulho.
As três fotos mais votadas viram exposições itinerantes que já têm datas marcadas para este ano nas escolas municipais de Heliópolis (SP), Rocinha (RJ) e Caminho de Pebbles (CE). As imagens também virarão cartões postais que serão vendidos por R$ 3 na porta das feiras, com o lucro revertido para os próprios fotógrafos. O regulamento permite que cada participante concorra com até três cliques, desde que tenha morado ou trabalhado na comunidade retratada nos últimos dois anos.
Para vencer, não basta boa técnica. A avaliação popular pesa 70 % da pontuação; os outros 30 % vêm de júri formado por educadores, comunicadores e líderes comunitários que olham o potencial de transformação da imagem. O vencedor leva câmera semiprofissional, curso de edição de fotos oferecido pelo Senac e bolsa de R$ 2 mil para produzir uma nova série sobre sua comunidade.
Votar leva menos de dois minutos: basta acessar olhardaquebrada.org, clicar na galeria e selecionar até cinco imagens. O resultado sai no dia 28 de abril e será publicado ao meio-dio nas redes do projeto, sempre com legenda escrita pelos próprios autores. Quem vive nas quebradas sabe: a foto boa não precisa de filtro, só de verdade.