Paraisópolis, São Paulo segunda-feira, 2 de março de 2026
Cultura

Coletânea ‘Quem Tá Ritmando’ leva o funk da periferia de Cuiabá a outros estados

Oito MCs da periferia de Cuiabá uniram suas vozes no álbum Quem Tá Ritmando, lançado sem gravadora e com batidas que viajam do funk paulista ao carioca e ao mineiro. A faixa que dá nome ao projeto nasceu como um carimbo de Frajolinha, ganhou vida própria e virou convite para que os artistas mostrassem ao país o que se produz na capital de Mato Grosso.

São oito músicas gravadas em casa, mixadas pelo DJ Baez e lançadas no começo de abril. Participam Armayck, PH do Floripa, DZ7, MC Guto LK, Eomath, Frajolinha e Yohan Nanizaya, todos oriundos de territórios como Pedra 90, Cabral e Floripa. A ideia era clara: provar que Cuiabá não repete um só padrão e tem qualidade para competir fora.

A cena local vive fragmentada. Cada bairro costura sua agenda, sua roda de batidas e sua divulgação. O álbum virou ponte: artistas que nunca haviam dividido estúdio agora dividem play nos streamings. O resultado já aparece em números: nas primeiras duas semanas, as faixas somaram mais de 50 mil execuções no Spotify, com ouvintes concentrados em São Paulo, Rio e Belo Horizonte.

Armayck, por exemplo, aproveitou a onda para marcar shows em São Paulo no mês que vem. PH do Floripa viu o nome saltar de 2 mil para 12 mil seguidores no Instagram. O dinheiro ainda é pouco, mas a exposição abre portas. A meta seguinte é transformar visualizações em agenda de shows fora do estado e, quem sabe, atrair produtores interessados em investir em turnos de workshops de batidas dentro das comunidades.

O projeto não tem patrocínio público nem privado. Os próprios artistas bancaram gravação, arte da capa e divulgação. A lição que fica é direta: quando a periferia se organiza, o barulho atravessa fronteira sem precisar pedir licença.

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Redação Espaço do Povo
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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