Paraisópolis, São Paulo sábado, 14 de março de 2026
Educação

Clínica da periferia ensina a identificar autismo leve e garante atendimento gratuito

Moradores da Vila Albertina, zona norte de São Paulo, participaram nesta terça-feira de uma oficina rápida para aprender a reconhecer os primeiros sinais do autismo leve, chamado hoje de TEA (Transtorno do Espectro Autista). A atividade foi promovida pela Inspirali, clínica popular que atende pelo SUS, e reuniu 40 pessoas entre pais, avós e professores de creches comunitárias.

O psicólogo Rafael Souza, coordenador do projeto, explicou que a antiga “síndrome de Asperger” virou parte do TEA, mas o nome mudou, não o jeito de cuidar. “Quanto antes a família entender que a criança precisa de rotina e estímulos diferentes, mais rápida é a evolução”, disse. A oficina distribuiu um cartão com sete sinais: falta de contato visual, fala repetitiva, interesse restricto por um só tema, irritação com barulho ou luz forte, dificuldade de brincar com outros, andar de ponta de pé e movimentos repetitivos das mãos.

Quem identificar três ou mais itens pode procurar a Unidade de Saúde da Família mais próxina e pedir encaminhamento para a Inspirali. Lá, a triagem é feita em até 15 dias e o tratamento inclui sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, tudo sem custo. A clínica tem ainda lista de espera menor que as unidades de referência da região, que chegam a quatro meses.

Para Dona Maria, 58, que cuida do neto de 6 anos, a informação mudou a rotina. “Pensei que ele era só quieto. Agora sei que precisa de silêncio antes da escolinha e já consigo evitar as crises”, contou. A equipe também mostrou como montar um canto de baixo custo com luz de led, espuma e tecido para a criança se acalmar em casa.

O próximo encontro será no dia 5 de agosto, na escola municipal Professora Zenaide, no Jardim Japão. Basta levar o cartão da oficina anterior ou chegar meia hora antes para pegar o material. Quem perder pode acessar o mesmo conteúdo no Instagram @inspirali.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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