A cidade de Peruíbe, no litoral sul paulista, virou cenário de barro e desespero nas últimas 24 horas. 56 mm de chuva em um único dia bastaram para desencadear deslizamentos, alagamentos e o desabamento de ao menos duas casas na região do Morro do Céu. A Defesa Civil confirma 312 desabrigados e outros 96 desalojados que conseguiram abrigo com parentes ou em igrejas. Ninguém morreu até o momento, mas três pessoas foram levadas ao hospital com fraturas leves.
O distrito de Balneário Mar Paulista, onde a maioria das famílias afetadas vive em casas de madeira sem laje, foi o mais castigado. A água desceu pelo morro carregando terra, pedras e entulho, invadiu ruas de terra e transformou o córrego Ribeirão da Praia em um rio de lama que atravessa a avenida principal. Moradores contam que o barulho da terra cedendo foi ouvido por volta das 23h de ontem. “Quando vi a parede rachando, peguei meus filhos e corri. Em dez minutos a casa não existia mais”, disse a balconária Simone Alves, 33, mãe de três.
A prefeitura abriu dois ginásios municipais como abrigos, mas a lotação já supera a capacidade. Cestas de alimento e colchões estão sendo distribuídas, faltam banheiros químicos e água potável. A Secretaria de Habitação informou que vai alugar imóveis para abrigar as famílias, mas não deu prazo. Enquanto isso, quem perdeu tudo dorme em colchão no chão de escola.
Peruíbe tem 12% de suas residências em áreas de risco, segundo o mapeamento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de 2019, mas só 4% foram reassentadas. O Plano Municipal de Redução de Risco de Desastres, obrigatório desde 2010, nunca saiu do papel. A prefeitura diz que aguarda verba federal para obras de contenção. O Governo do Estado, por meio da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, afirmou que “acompanha a situação” e que equipes estão em campo, mas não anunciou recursos extras.
Para esta quinta-feira a previsão é de mais chuva fraca a moderada. A Defesa Civil mantém alerta laranja e pede que moradores das encostas abandonem casa de imediito caso ouçam trincos ou vejam rachaduras. Quem precisar de ajuda pode ligar para 153 ou procurar o posto montado na escola Hebe Camargo, rua das Acácias, 45, Balneário Mar Paulista.