A Casa-ateliê Tomie Ohtake, no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, recebe a exposição Zanine Caldas – Criação de mundos, que apresenta a trajetória do arquiteto e designer brasileiro José Zanine Caldas (1919–2001).
Realizada pelo Ministério da Cultura, Nubank e Instituto Tomie Ohtake, a mostra reúne mobiliário, maquetes, desenhos, projetos arquitetônicos, fotografias, filmes e documentos que ajudam a compreender a contribuição do artista para a arquitetura e o design brasileiros.
A exposição está organizada em quatro núcleos — Raiz, Tronco, Abrigo e Horizonte —, que exploram diferentes momentos da carreira de Zanine e sua relação com a madeira, o trabalho artesanal, a educação e a preservação ambiental.
A iniciativa também integra uma nova fase da Casa-ateliê Tomie Ohtake, antiga residência da artista, que passa a receber projetos culturais voltados ao encontro entre arte, arquitetura, design e memória.
Quem foi José Zanine Caldas?
Nascido em Belmonte, na Bahia, em 1919, José Zanine Caldas foi arquiteto autodidata, designer, maquetista e professor. Sua trajetória foi marcada pela valorização dos materiais naturais, especialmente a madeira, e pela busca de soluções construtivas que respeitassem as características dos territórios.
Ao longo da carreira, conviveu e colaborou com importantes nomes da arquitetura e da cultura brasileira, como Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Lina Bo Bardi, Vilanova Artigas, Joaquim Tenreiro e Sergio Rodrigues.
Um dos aspectos mais conhecidos de seu trabalho foi a transformação de troncos, raízes e materiais descartados em móveis e estruturas arquitetônicas.
Suas criações também chamavam atenção para os impactos da exploração madeireira e para a necessidade de preservar as florestas brasileiras.
O que o público poderá encontrar na exposição?
A mostra apresenta quatro núcleos temáticos que permitem conhecer diferentes aspectos da produção de Zanine Caldas.
Raiz: as origens e influências do artista
O primeiro núcleo apresenta a formação de Zanine, desde suas experiências iniciais com processos construtivos na Bahia até o contato com arquitetos, designers e artistas que influenciaram sua trajetória.
Fotografias, documentos e outros registros ajudam a compreender como suas experiências práticas contribuíram para desenvolver uma linguagem própria.
Tronco: móveis feitos com madeira reaproveitada
A segunda parte da exposição destaca a relação do artista com a madeira.
Nos anos 1940, Zanine começou a pesquisar maneiras de reduzir o desperdício de chapas de compensado utilizadas na fabricação de móveis. Essa experiência contribuiu para o desenvolvimento da Móveis Artísticos Z.
Décadas depois, passou a trabalhar com materiais reaproveitados de casarões demolidos e grandes troncos descartados pela indústria madeireira.
Dessa experiência surgiram os chamados móveis-denúncia, peças que transformavam resíduos em mobiliário e, ao mesmo tempo, alertavam para a destruição das florestas brasileiras.
Abrigo: arquitetura integrada à natureza
O terceiro núcleo apresenta a produção arquitetônica de Zanine, responsável por projetar cerca de 500 casas no Brasil e no exterior.
Sua maneira de construir valorizava as características naturais dos terrenos, os materiais disponíveis e o conhecimento de trabalhadores como carpinteiros e artesãos.
Desenhos, plantas, fotografias e maquetes permitem acompanhar o processo criativo do arquiteto e compreender como suas ideias eram desenvolvidas e testadas antes da construção.
Horizonte: educação e transformação social
O último núcleo aborda a atuação de Zanine como educador e sua defesa da arquitetura como instrumento de transformação social.
A exposição reúne documentos sobre suas experiências na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), na Universidade de Brasília (UnB) e no Centro de Desenvolvimento das Aplicações das Madeiras do Brasil (DAM).
Os registros mostram como o artista aproximava o ensino da arquitetura de questões ambientais, técnicas construtivas e conhecimentos tradicionais.
Casa-ateliê Tomie Ohtake recebe nova fase de programação cultural
A realização da exposição na Casa-ateliê Tomie Ohtake também estabelece um diálogo entre as trajetórias de dois importantes nomes da arte brasileira.
A antiga residência de Tomie Ohtake, localizada no Campo Belo, foi utilizada pela artista como espaço de criação, experimentação e encontro com profissionais de diferentes áreas.
Assim como Zanine, Tomie desenvolveu uma produção marcada pela investigação dos materiais e pela experimentação artística.
Ao receber Criação de mundos, a Casa-ateliê amplia sua proposta de aproximar diferentes gerações e linguagens, oferecendo ao público uma oportunidade de conhecer a história da arquitetura e do design brasileiros.
Serviço — Zanine Caldas – Criação de mundos
- Local: Casa-ateliê Tomie Ohtake
- Endereço: Rua Antônio de Macedo Soares, 1800 – Campo Belo, São Paulo (SP)
- Período: 13 de setembro a 8 de novembro de 2026
- Funcionamento: quinta-feira a domingo, das 10h às 17h
- Última entrada: às 16h
- Curadoria: Sabrina Fontenele, com assistência de Lahayda Mamani
- Realização: Instituto Tomie Ohtake
- Ingressos: há categorias gratuitas mediante apresentação de documento comprobatório. Os valores das demais categorias não aparecem na imagem.
- Informações e ingressos: Site oficial da exposição
Informações importantes para os visitantes
- Não há guarda-volumes e não é permitida a entrada com mochilas.
- O espaço não possui estacionamento. A organização recomenda utilizar transporte público ou aplicativos.
- Crianças menores de 12 anos devem estar acompanhadas dos pais ou responsáveis.
- Aos sábados e domingos, acontecem visitas mediadas com educadores, às 11h e às 15h.