O Brasil registrou 7.300 mortes por câncer de colo do útero em 2025, o maior número desde 2000. A doença é a única forma de câncer totalmente prevenível com exame simples, mas 60% das mulheres de comunidades pobres nunca fizeram o teste.
O exame de Papanicolau está disponível de graça no SUS desde 1996. Mesmo assim, 18 milhões de mulheres entre 25 e 64 anos não atualizaram o preventivo nos últimos três anos. Na periferia de São Paulo, a fila chega a cinco meses na UBS Jardim Elvira, zona sul.
A falta de médicos e a vergonha das pacientes são os principais gargalos. “A mulente tem que se deslocar duas vezes: uma para pegar senha e outra para fazer o exame. Muitas desistem”, conta a enfermeira comunitária Ana Paula da Silva, 42, da Vila Nova Cachoeirinha.
O Ministério da Saúde prometeu em março ampliar o programa “Viva Mulher” para 2 mil postos extras até 2026. A meta é reduzir as mortes em 30% nos próximos cinco anos com coleta feita por enfermeiras treinadas dentro das próprias comunidades.
Quem tem entre 25 e 64 anos pode marcar o exame pelo app “SUS Digital” ou direto na unidade de saúde. O preventivo deve ser feito de três em três anos para mulheres sem alterações anteriores.