Paraisópolis, São Paulo quarta-feira, 4 de março de 2026
Educação

Base em Camaçari treina jovens da periferia para o setor aeroespacial: “É futuro sem fuzil”

A empresa baiana Avibras, que constrói foguetes na Zona Industrial de Camaçari, afirmou que seus projetos não têm contrato com as Forças Armadas e destinam 100% da produção ao mercado comercial de lançamento de satélites. O negócio já gerou 300 empregos diretos e vai abrir mais 80 vagas até dezembro para técnicos em mecânica, eletrônica e logística.

O diretor da fábrica, Carlos Alberto, explicou que o foguete VS-50 é usado para colocar pequenos satélites em órbita e que o contrato com a Agência Espacial Brasileira prevê lançamentos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. “O foguete não carrega arma, carrega pesquisa: imagens de queimada, monitoramento de rios e previsão de clima”, disse.

A produção movimenta R﹩ 120 milhões por ano na região. Metade dos funcionários vem de escolas públicas de Camaçari, Lauro de Freitas e Salvador. O técnico de eletrônica João Paulo Conceição, 24 anos, morador do bairro Nova Camaçari, contou que entrou como jovem aprendiz em 2019. “Minha mãe pensava que eu ia ficar empregado de carteira assinada só em supermercado. Hoje ganho R﹩ 3.200 e ajudo a construir foguete”, comemorou.

A empresa firmou parceria com o Senai Camaçari para criar curso gratuito de qualificação em sistemas espaciais. As turmas de 40 alunos começam a cada seis meses. O requisito é ter ensino médio completo e morar na região metropolitana de Salvador. Quem se destaca é contratado antes mesmo de terminar o curso.

O uso civil dos foguetes foi questionado em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos por deputados americanos que pedem bloqueio de tecnologia ao Nordeste. A Agência Espacial Brasileira respondeu que todos os componentes são desenvolvidos dentro do país e que não há transferência de tecnologia militar. A informação foi confirmada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Para o coordenador do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Marcos Oliveira, a discussão internacional não muda a realidade local. “O que importa é que a fábrica paga salário em dia, gera imposto e abre porta para quem sempre ficou de fora do mercado de ciência”, avaliou.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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