O BTG Pactual começou 2026 dizendo que o Brasil pode estar entrando num megaciclo de crescimento. Para as periferias, a aposta traduz-se em duas palavras: emprego e crédito mais barato.
A instituição reduziu a previsão de inflação para 3,8% e vê os juros básicos (Selic) terminando o ano em 13,75%, três pontos abaixo do patamar atual. Com isso, o banco espera que as empresas voltem a contratar e que as famílias consigam financiar casa, moto ou o próprio negócio sem pagar juros de cartão.
O BTG também abriu 120 agências físicas desde 2024, 70% delas em cidades de até 200 mil habitantes. A ideia é justamente pegar quem nunca teve conta em banco: microempreendedores de quebrada, ambulantes, donas de salão. A taxa de juros do cheque especial já caiu de 12% para 8,9% ao mês dentro dessas agências, e o banco estuda linhas de microcrédito a partir de R$ 500 com parcelas de até 24 meses.
Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cada ponto que a Selic desce significa cerca de 120 mil empregos formais no país. A maior parte dessas vagas surge em serviços e construção civil, setores que absorvem trabalhadores sem diploma universitário. A estimativa do BTG é que a economia brasileira cresça 2,5% neste ano, o dobro da média dos últimos dez anos.
O desafio é fazer o dinheiro chegar na ponta. O banco diz que vai financiar 100% de imóveis usados de até R$ 350 mil e aceitar como garantia motos de até dez anos. Isso abre espaço para o camelô comprar uma Honda hoje usada no Mercado Livre e virar entregador de app com renda fixa.
Na Vila Missionária, zona sul de São Paulo, o catador de papel Jeferson Alves, 31, testou o discurso. Pegou R$ 2 mil de crédito pessoal no BTG, comprou um segundo carrinho de reciclável e hoje ganha R$ 1.800 por mês, o dobro de 2023. “O banco não pediu garantia de imóvel, só viu meu extrato de Pix. Demorou quatro dias”, conta.
Economistas alertam: o megaciclo só vinga se a queda de juros vier acompanhada de investimento em infraestrutura. O governo promete R$ 74 bilhões em obras de mobilidade urbana até 2027. Obras de metrô e corredores de ônibus geram emprego direto na quebrada, mas dependem de orçamento que ainda está no papel.