Cultura

Anne Carson, poeta canadense, vence o Nobel de Literatura de 2026

Anne Carson, 76, poeta, ensaísta e tradutora canadense, venceu o Nobel de Literatura de 2026. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (8) pela Academia Sueca, que premiou a capacidade da autora de criar novas formas literárias a partir da tradição clássica. A justificativa do prêmio destacou a inventividade da obra e o diálogo com textos da Antiguidade.

Nascida em Toronto, no Canadá, em 21 de junho de 1950, Carson tem formação em estudos clássicos. Concluiu a graduação na Universidade de Toronto em 1974, o mestrado em 1975 e o doutorado em 1981. Além da escrita, construiu carreira como professora e como tradutora de autores como Safo e Eurípides.

Um de seus livros mais conhecidos é “Autobiografia do Vermelho: Um romance em versos”, de 1998. Na obra, a autora recria o mito de Gerião, o monstro vermelho que, em sua versão, se torna um jovem sensível, apaixonado por Héracles e interessado em fotografia. O livro saiu no Brasil pela Editora 34 em 2021, com tradução de Ismar Tirelli Neto.

O texto também chegou aos palcos brasileiros. A atriz Bianca Comparato protagonizou em 2026 o monólogo “Autobiografia do Vermelho”, dirigido por Daniela Thomas. A montagem nasceu depois de uma gravação do texto para um audiolivro.

Antes do Nobel, Carson já acumulava reconhecimento internacional. Com “A Beleza do Marido”, tornou-se a primeira mulher a vencer o prêmio T. S. Eliot, referente a 2001. Sua trajetória inclui ainda bolsas das fundações Guggenheim e MacArthur.

O desejo amoroso é tema central de “Eros, o Doce-Amargo”, publicado originalmente em 1986 e derivado de sua tese de doutorado. Na obra, a autora investiga o amor a partir da literatura e de outros campos do conhecimento. O título ganhou edição brasileira pela Bazar do Tempo em 2022.

Outro livro disponível no país é “Sobre Aquilo em que Eu Mais Penso”, coletânea de 11 ensaios publicada pela Editora 34 em 2023. Os textos aproximam autores de diferentes épocas e discutem questões contemporâneas, como as ideias sobre o feminino.

Neste ano, chegou às livrarias brasileiras “Vidro, Ironia e Deus”. Publicada originalmente em 1995, a coletânea reúne cinco poemas e um ensaio sobre amor, identidade, religião e feminismo. A tradução é de Adriana Lisboa, pela Relicário.

A estreia de Carson no Brasil ocorreu em 2017, com “O Método Albertine”. O título saiu pelas Edições Jabuticaba, com tradução de Vilma Arêas e Fernando Guimarães, e parte da personagem Albertine, de “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, para explorar a obra do escritor francês.

A tradição clássica reaparece em “Norma Jeane Baker of Troy”, de 2019, que aproxima as histórias de Helena de Troia e Marilyn Monroe. Amor, desejo e perda estão entre os temas que atravessam toda a sua produção, que mistura poesia, ficção, crítica literária e tradução.

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