Games e cultura geek

Amanita Design repudia tributo de IA a Machinarium: ‘Não tem nada a ver com nosso ofício’

O estúdio tcheco Amanita Design, criador do jogo Machinarium, lançado em 2009, repudiou um tributo produzido com inteligência artificial e publicado em 20 de outubro pela Nura Studios, empresa que se apresenta como de narrativa com IA. O executivo-chefe da companhia é Sylvio Drouin. O vídeo foi apagado depois da repercussão, e a reação do estúdio saiu em postagem nas redes sociais.

Na publicação, a Amanita criticou o fato de elementos do próprio jogo terem sido usados como matéria-prima para a ferramenta, que transformou esse material em animações, e a iniciativa de chamar o resultado de homenagem. O texto encerra com uma frase direta: “Cartas de amor deveriam ser escritas à mão. Isso parece nojento e não tem nada a ver com a gente ou com o nosso ofício.”

A Nura Studios se define como uma empresa de narrativa com inteligência artificial. Sua missão declarada é capacitar criadores com uma plataforma de IA conduzida por pessoas, voltada a dar vida a histórias de alta qualidade. O tributo a Machinarium foi divulgado nas contas da companhia e retirado do ar pelo próprio autor da postagem.

Depois da repercussão, Drouin se manifestou e pediu desculpas. “Sentimos muito pela publicação que fizemos”, escreveu. Em seguida, o executivo afirmou que a intenção era homenagear o estúdio e informou que as postagens já haviam sido apagadas: “Achamos que era uma homenagem ao trabalho incrível de vocês e já apagamos as publicações; mais uma vez, por favor, aceitem nossas sinceras desculpas.”

Até o momento, a Amanita não aceitou publicamente as desculpas. A postura destoa do que costuma acontecer no setor, onde investidas desajeitadas de empresas de tecnologia tendem a ser ignoradas com educação. O estúdio tcheco é apontado como um dos mais distintivos visualmente do mundo e também entre os mais assertivos na defesa do próprio trabalho.

Enquanto o episódio não tem desfecho público, o estúdio toca o próximo projeto. Machinarium 2 foi anunciado no início deste mês. O primeiro jogo, de 2009, é tratado como clássico cult e tem no traço visual próprio sua marca mais reconhecida — justamente o que a versão animada por IA tentou reproduzir.

O caso expõe um ponto sensível para estúdios independentes: o uso de criações originais como insumo para ferramentas de inteligência artificial. Em Machinarium, elementos do jogo foram convertidos em animação e apresentados como homenagem, o que a produtora de origem rejeitou publicamente. A discussão sobre os limites desse tipo de uso agora acompanha o anúncio do próximo título do estúdio.

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Equipe do Espaço do Povo

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