Trinta e um alunos com mais de 60 anos transformaram lembranças de infância, luta pelo trabalho e redescoberta da sala de aula em livro de memórias lançado na última semana no CIEJA Rolando Boldrin, escola municipal localizada no Jardim Luso, Zona Leste de São Paulo.
A obra reúne 144 páginas escritas durante oficinas de literatura promovidas pela unidade ao longo de 2023. Cada capítulo traz um relato pessoal: a dona-de-casa que aprendeu a assinar o nome aos 72, o ex-ajudante de pedreiro que virou poeta e a costureira que virou monitora de alfabetização depois de se formar.
Coordenadora do projeto, a professora Sueli Aparecida explica que o livro nasceu da necessidade dos próprios alunos de registrar conquistas. “Eles queriam mostrar para os netos que é possível voltar a estudar depois de décadas fora da escola”, conta. A tiragem inicial de 500 exemplares será distribuída gratuitamente para bibliotecas comunitárias de Sapopemba, Itaim Paulista e Itaquera.
A publicação foi custada com verba do Fomento à Leitura, programa da Secretaria Municipal de Educação que destina até R$ 15 mil por ano para projetos de escolas da periferia. A impressão foi feita em gráfica local, gerando quatro empregos temporários para moradores da região.
Para o aluno Antônio Carlos da Silva, 68, o livro representa um marco. “Depois de 50 anos carregando tijuelas, descobri que posso carregar palavras”, diz o ex-auxiliar de alvenaria que agora escreve crônicas nos cadernos escolares. A expectativa da escola é repetir a oficina em 2024, ampliando para 50 participantes e incluindo a produção de audiolivros acessíveis a idosos com baixa visão.