Paraisópolis, São Paulo quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
✍️ OPINIÃO Este é um artigo de opinião. As ideias expressas são de responsabilidade do autor.

A Sociedade do Cansaço e a Arte de Parar

💚 Colaborador Voluntário

Evelin Santos

📅 28 fev 2025 ⏱️ 2 min de leitura

Vivemos em uma era onde descansar virou quase um crime. Se você não está
exausto, sobrecarregado e com mil abas abertas (no navegador e na mente), parece
que está fazendo algo errado. Bem-vindo à Sociedade do Cansaço, como bem
descreveu o filósofo Byung-Chul Han. Aqui, a produtividade e perfomance se tornou
uma religião, e a exaustão, um troféu.

Mas vamos pensar um pouco: quando foi a última vez que você simplesmente
parou? Não para dormir de exaustão, nem para rolar o feed do celular, mas para
contemplar o tempo, sentir o vento no rosto ou ouvir o silêncio?


A questão é que na era da informação parece é que fomos treinados para acreditar
que pausa é sinônimo de preguiça. A sociedade moderna transformou o ócio
criativo em desperdício de tempo e a contemplação como uma aparente falta de
compromisso com a vida. E o Resultado? Estamos mais ansiosos, mentalmente sobrecarregados e cada vez menos capazes de simplesmente estar no presente.

A verdade é que o cérebro precisa de pausas. A criatividade, a clareza mental e até
mesmo a felicidade dependem de momentos de descanso genuíno. Sem eles,
viramos máquinas de produção, presas em um ciclo de fadiga e frustração.

Constatamos então, que esta é a hora de resgatar o valor das pausas. Isso não
significa abandonar responsabilidades, mas aprender a respirar entre elas. Que tal
algumas ideias?


Fique Off do mundo virtual. Olhe para o céu, observe as nuvens, sinta o cheiro do
café, brinque com a criança, beije a pessoa querida… SEM PRESSA!


Diminua o ritmo. Nem tudo precisa ser urgente. Nem tudo precisa ser agora.

Desconecte-se. Nem toda notificação precisa de resposta imediata.

Valorize o silêncio. Ele é raro e precioso.

A vida não precisa ser uma eterna maratona de produtividade. Permita-se
contemplar, desacelerar e, quem sabe, redescobrir a beleza do tempo vivido – e não
apenas consumido.


Referência: HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini.
Petrópolis: Vozes, 2015.

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Este artigo foi escrito por um colaborador voluntário

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