Paraisópolis, São Paulo terça-feira, 3 de março de 2026
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A cada 100 pessoas mortas pela polícia, 65 são negras

Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Pesquisa também revela que a cada 4 horas, uma pessoa negra foi morta pela polícia em 2022

Nesta quinta-feira foi divulgado o estudo “Pele Alvo, a bala não erra o negro” realizado em 2022 pelo Observatório de Segurança, de Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. A pesquisa revela que 65,7% das pessoas mortas pela polícia são negras. Se considerar apenas as mortes com raça/cor informada, esse número sobe para 87%. O estudo também revela que a cada 4 horas, uma pessoa negra foi morta pela polícia em 2022.

O estudo avaliou oito estados brasileiros, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará, nesses locais, 4.219 pessoas foram mortas pela polícia, 2.700 foram consideradas negras (pretas e pardas). Apenas o estado do Maranhão não informou a raça/cor das pessoas mortas pela polícia. Nos estados de Ceará e Pará existe uma  grande quantidade de pessoas sem raça e cor identificadas, 69% e 66%.

“Os negros são a grande parcela dos mortos pelos policiais. Quando se comparam essas cifras com o perfil da população, vê-se que tem muito mais negros entre os mortos pela polícia do que existe na população. Esse fator é facilmente explicado pelo racismo estrutural e pela anuência que a sociedade tem em relação à violência que é praticada contra o povo negro”, diz o coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Pablo Nunes. 

O estado da Bahia é o mais violento neste quesito, cerca 80% da população é formada por pessoas negras, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), porém o índice de pessoas mortas pela polícia é 94,8% de pessoas negras (1.183 pessoas com raça e cor informada). O mesmo fato acontece no estado do Pará, 80,5% da população é negra, mas 93,9% das pessoas mortas pela polícia são negras, ou seja, há omissão de informação sobre as vítimas. 

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ESCRITO POR

Leonardo Almeida

Repórter do Espaço do Povo, é cria do Jardim Ângela, formado em jornalismo e tem vivência em redação e assessoria de imprensa.

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