8 mil moradores de Juiz de Fora continuam sem saber se podem voltar para casa após as chuvas que atingiram a cidade no início do mês. A Defesa Civil precisa de até 40 dias para liberar laudos técnicos, e muitas famílias dormem em escolas, ginásios ou na casa de parentes.
Enquanto isso, o aluguel na cidade disparou. Corretores relatam aumentos de 20% a 30% em menos de duas semanas. Quem perdeu móveis e documentos não consegue fiador e é desqualificado na triagem das imobiliárias.
A prefeitura montou 12 abrigos, mas só dois têm cozinha coletiva. Gelson Rodrigues, morador do Cachoeirinha, conta que divide um colchão com a mulher e os três filhos desde o dia 4. “Levei um choque quando vi o valor de um barracão de dois cômodos: R$ 900”, diz ele, que ganhava R$ 1.300 como ajudante de pedreiro antes da enchente.
Empresários locais doaram cestas básicas, mas faltam panelas, colchões e material escolar. A Secretaria de Assistência Social prometeu 600 kits de higiene e 300 colchões até sexta-feira, mas ainda não abriu inscrição para o Aluguel Social, programa federal que paga até R$ 600 por três meses.
Juiz de Fora tem 1.300 famílias cadastradas em áreas de risco desde 2020, mas só 180 moradias foram entregues pelo Minha Casa, Minha Vida. A prefeitura diz que vai acelerar vistorias e pediu ao governo do estado mais R$ 12 milhões para obras de drenagem nos bairros mais afetados.